Narrador: Era uma vez uma
linda menina chamada Eli. Eli era especial, ela conseguia encontrar alegria,
beleza em tudo. Vivia em seus sonhos, ou melhor, deixava um pezinho aqui e
outro lá, no mundo da lua, do sol, das flores, dos pássaros dos Sonhos. E hoje
começa mais um dia para nossa amiguinha.
A
Mãe de Eli:
Minha filha ande depressa, você vai se atrasar para aula.
Eli:
Está
bem mãezinha já estou indo, beijo.
Mãe: Vai com Deus.
Narrador: E lá se foi Eli
cantarolando pelo caminho.
Eli: “Irmão sol,
irmão vento, irmã lua, irmão lobo tu és meu irmão, rouxinol, sábias criaturas
de Deus”. Somos obras de tuas mãos.
Narrador: Chegou à
escola, e como sempre nossa simpática menina já abre os braços para receber o
aconchego na entrada da escola.
Porteira: Paz e bem Eli!
Eli: Paz e bem Dona
Cristina!
Porteira: Corre para sua
sala Eli, pois hoje tem uma surpresa!
Eli: Oba, que joia!
Narrador: A sala de Eli e
seus colegas estava toda preparada para assistirem um filme. Toda curiosa, já pergunta
as suas melhores amigas que já havia lhe reservado um lugar perto delas.
Eli: Vamos ter filme
hoje?
Amiga: Sim Eli, hoje
vamos ver um documentário sobre o Cerrado.
Eli: Cerrado? Nunca
ouvi falar sobre Cerrado.
Amiga: Nem eu, mas
vamos saber tudinho agora.
Professora: Silêncio
crianças vai começar nosso filme.
Narrador:
Começa
então o filme e Eli fica completamente absorvida e encantada com as belezas do
Cerrado. Os Ipês amarelos reluzindo ao sol, os roxos, rosas. Os frutos, os animais,
ela estava deslumbrada. Nossa, olha lá o artista do Cerrado, o tão famoso
Pequi, que Eli só conhecia na panela e se lembrando das recomendações de sua
mãe para tomar cuidado ao comê-lo e no filme ficou intrigada, pois os
passarinhos se deliciavam comendo os frutos do pequi, e pensava ela.
Eli: Será que eles
não vão espetar a língua? Será que passarinho tem língua? (pensando).
Narrador: E continuava a
apresentação do filme. Nossa e agora os animais, as aves, as plantas medicinais
do Cerrado. E nossa amiguinha estava encantada e não demorou nadinha, plim,
plim! Mergulhou ela em seu mundo encantado da imaginação e, agora lá estava ela
em pleno Cerrado e Já cumprimenta imediatamente o astro rei com quem ela tinha
muita intimidade.
Eli: Bom dia Sol!
Paz e bem!
Sol: Bom dia Eli!
Que prazer encontrá-la nesta manhã aqui em meio à natureza nossa irmã. Não
sabia que você conhecia o Cerrado!
Eli: Não conhecia
mesmo. Que lindo!
Sol: Eli espere um
pouquinho, psiu, escute o que diz a Juriti. Ela é uma poetiza do Cerrado ouça.
(OBS:
grava 1º, o canto da Juriti)
Juriti:
O lindo dia, o dia lindo
As suas cores, o
seu cheiro
Aqui e ali tudo
e encanto
E assim o meu
canto
Cheio de alegria
Vem em harmonia
Louvar o criador
Que com seu amor
Colocou aqui e
acolá
Sem exagerar,
É só olhar
A sua presença
Em tudo que há.
Eli: Nossa que
lindinha!
Juriti: Quem está ai?
Narrador: Antes que a Eli
se identificasse, o Sol entrou com as apresentações.
Sol: Oi Juriti, não
se assuste, é nossa amiguinha Eli, que em seus sonhos vem nos encontrar e ela
pode entender o que você diz.
Juriti: Pode me
compreender?
Sol: Pode sim.
Juriti essa é a Eli, Eli essa é a Juriti.
Juriti: Muito prazer.
Eli: O prazer é todo
meu.
Juriti: Pode me chamar
de Jú.
Eli: Jú, sem querer
me aproveitar, você pode me mostrar o seu mundo?
Jú: Claro, será uma
alegria. Pena que está tudo tão mudado (em tom de desanimo) está tudo tão
judiado, devastado pelas queimadas, desmatamentos para as lavouras, formação de
pastos para o gado, agrotóxicos, irrigações que vão acabando com nossas águas, o
massacre dos animais nas rodovias, mas afinal é melhor pular esta parte.
Desculpe-me é que não é todo dia que tem gente que pode nos compreender.
Eli: Que vergonha
Jú. Só de pensar fico triste. Quanta maldade! São Francisco não ia gostar nada,
nada dessa história.
Jú: Desculpe-me
mais uma vez, foi só um desabafo. Como já disse não e todo dia que posso me
comunicar com gente. Deixa essa conversa pra lá.
Eli, em seu sonho tudo é possível, vamos
reunir todas as estações do ano e ver em um só dia, todas as maravilhas que há
por aqui.
Eli: Oba! Essa é a
minha especialidade! E imaginem só sonhar no sonho! É demais vamos nessa plim,
plim.
Jú: Veja só Eli,
que maravilha os Ipês, o pequi, os periquitos voando, os cocos da guariroba, as
gabirobas, as pitangas, guapeava, ingá, corriola, marmelada, murici, mangaba,
araçá, mama-cadela, cajuzinho etc.
Eli: Ai meu São
Francisco, Já estou com a barriga cheia Jú.
Jú: Guarda um
espacinho porque tem mais.
Eli: Mais?
Jú: Muito mais; manga,
jatobá, bacupari, gravatá, araticum e muito mais.
Eli: Por isso que
vocês estão tão gordinhos, né?
Jú: Eli olha quem
vem lá.
Eli: Quem, quem?
Jú: O lobo-guará,
onça pintada, tucano, ariranha, capivara, tatu, as emas, seriemas, inambu,
coruja, araras azuis e vermelhas e as garças. Cuidado Eli, essa turma ai é meio
desconfiada, são os gambás e as jaratatacas, se descuidar pode ficar com um
perfume meio forte, eu diria fedidinho.
Eli: Deus me livre,
é melhor manter a distância, KKKK. Nossa Jú e aquelas ali na frente, com aquele
apetite?
Jú: A sim são as
capivaras e as antas.
Eli: Eu posso falar
com a anta? Preciso tirar uma duvida.
Jú: Claro que sim,
neste sonho tudo é possível.
Eli: Olá Anta, você
pode me responder uma perguntinha?
Anta: Só se for só
uma.
Eli: Você conhece o
Frei Wanderley?
Anta: Quem?
Eli: Sabe o que é
não sei por que, ele chama quase todas as pessoas de Anta e nem é o nome delas.
Anta: Conheço não,
mas com certeza devem ser pessoas elegantes, espertas e inteligentes que nem
eu.
Eli: A sim, com
certeza devem ser mesmo. Obrigada dona Anta pela atenção. Nossa Jú que pessoal
amigo! Quero chamá-los todos de irmãos, e onde eu estiver, na escola, em casa
ou no sonho quero pedir: “Cuidado com o Cerrado, tudo que há nele tem vida,
flores, frutos, animais, brilho, cores, amores”. E tudo é obra de Deus Paizinho
e devemos cuidar e amar. Plim, Plim!
Professora: Eli, onde você
esta querida, acorde. Já foram todos embora, já terminou o nosso filme. Você
gostou?
Eli: Paz e bem
professora, adorei, adorei. Vou contar tudo pra minha mãe, sobre a Jú, a Anta,
o pequi e tudo mais.
Professora: Quem é Jú?
Eli: Depois te conto
tudo tia, beijos até amanhã.
Professora: Eita Eli, você
não existe.
Narrador: E assim volta Eli
para casa, como sempre cantarolando.
Eli: Irmã Jú, Irmão
Lobo, Irmã Anta, Irmã Arara você é minha irmã gambazinho, tucanos, tatu e ipê
somos obras de tuas mãos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário