quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Mundo dos Sonhos

Narrador: Era uma vez uma linda menina chamada Eli. Eli era especial, ela conseguia encontrar alegria, beleza em tudo. Vivia em seus sonhos, ou melhor, deixava um pezinho aqui e outro lá, no mundo da lua, do sol, das flores, dos pássaros dos Sonhos. E hoje começa mais um dia para nossa amiguinha.

A Mãe de Eli: Minha filha ande depressa, você vai se atrasar para aula.
Eli: Está bem mãezinha já estou indo, beijo.
Mãe: Vai com Deus.
Narrador: E lá se foi Eli cantarolando pelo caminho.
Eli: “Irmão sol, irmão vento, irmã lua, irmão lobo tu és meu irmão, rouxinol, sábias criaturas de Deus”. Somos obras de tuas mãos.
Narrador: Chegou à escola, e como sempre nossa simpática menina já abre os braços para receber o aconchego na entrada da escola.
Porteira: Paz e bem Eli!
Eli: Paz e bem Dona Cristina!
Porteira: Corre para sua sala Eli, pois hoje tem uma surpresa!
Eli: Oba, que joia!
Narrador: A sala de Eli e seus colegas estava toda preparada para assistirem um filme. Toda curiosa, já pergunta as suas melhores amigas que já havia lhe reservado um lugar perto delas.
Eli: Vamos ter filme hoje?
Amiga: Sim Eli, hoje vamos ver um documentário sobre o Cerrado.
Eli: Cerrado? Nunca ouvi falar sobre Cerrado.
Amiga: Nem eu, mas vamos saber tudinho agora.
Professora: Silêncio crianças vai começar nosso filme.
Narrador: Começa então o filme e Eli fica completamente absorvida e encantada com as belezas do Cerrado. Os Ipês amarelos reluzindo ao sol, os roxos, rosas. Os frutos, os animais, ela estava deslumbrada. Nossa, olha lá o artista do Cerrado, o tão famoso Pequi, que Eli só conhecia na panela e se lembrando das recomendações de sua mãe para tomar cuidado ao comê-lo e no filme ficou intrigada, pois os passarinhos se deliciavam comendo os frutos do pequi, e pensava ela.
Eli: Será que eles não vão espetar a língua? Será que passarinho tem língua? (pensando).
Narrador: E continuava a apresentação do filme. Nossa e agora os animais, as aves, as plantas medicinais do Cerrado. E nossa amiguinha estava encantada e não demorou nadinha, plim, plim! Mergulhou ela em seu mundo encantado da imaginação e, agora lá estava ela em pleno Cerrado e Já cumprimenta imediatamente o astro rei com quem ela tinha muita intimidade.
Eli: Bom dia Sol! Paz e bem!
Sol: Bom dia Eli! Que prazer encontrá-la nesta manhã aqui em meio à natureza nossa irmã. Não sabia que você conhecia o Cerrado!
Eli: Não conhecia mesmo. Que lindo!
Sol: Eli espere um pouquinho, psiu, escute o que diz a Juriti. Ela é uma poetiza do Cerrado ouça.

(OBS: grava 1º, o canto da Juriti)

         Juriti:                  O lindo dia, o dia lindo
As suas cores, o seu cheiro
Aqui e ali tudo e encanto
E assim o meu canto
Cheio de alegria
Vem em harmonia
Louvar o criador
Que com seu amor
Colocou aqui e acolá
Sem exagerar,
É só olhar
A sua presença
Em tudo que há.

Eli: Nossa que lindinha!
Juriti: Quem está ai?
Narrador: Antes que a Eli se identificasse, o Sol entrou com as apresentações.
Sol: Oi Juriti, não se assuste, é nossa amiguinha Eli, que em seus sonhos vem nos encontrar e ela pode entender o que você diz.
Juriti: Pode me compreender?
Sol: Pode sim. Juriti essa é a Eli, Eli essa é a Juriti.
Juriti: Muito prazer.
Eli: O prazer é todo meu.
Juriti: Pode me chamar de Jú.
Eli: Jú, sem querer me aproveitar, você pode me mostrar o seu mundo?
Jú: Claro, será uma alegria. Pena que está tudo tão mudado (em tom de desanimo) está tudo tão judiado, devastado pelas queimadas, desmatamentos para as lavouras, formação de pastos para o gado, agrotóxicos, irrigações que vão acabando com nossas águas, o massacre dos animais nas rodovias, mas afinal é melhor pular esta parte. Desculpe-me é que não é todo dia que tem gente que pode nos compreender.
Eli: Que vergonha Jú. Só de pensar fico triste. Quanta maldade! São Francisco não ia gostar nada, nada dessa história.
Jú: Desculpe-me mais uma vez, foi só um desabafo. Como já disse não e todo dia que posso me comunicar com gente. Deixa essa conversa pra lá.
Eli, em seu sonho tudo é possível, vamos reunir todas as estações do ano e ver em um só dia, todas as maravilhas que há por aqui.
Eli: Oba! Essa é a minha especialidade! E imaginem só sonhar no sonho! É demais vamos nessa plim, plim.
Jú: Veja só Eli, que maravilha os Ipês, o pequi, os periquitos voando, os cocos da guariroba, as gabirobas, as pitangas, guapeava, ingá, corriola, marmelada, murici, mangaba, araçá, mama-cadela, cajuzinho etc.
Eli: Ai meu São Francisco, Já estou com a barriga cheia Jú.
Jú: Guarda um espacinho porque tem mais.
Eli: Mais?
Jú: Muito mais; manga, jatobá, bacupari, gravatá, araticum e muito mais.
Eli: Por isso que vocês estão tão gordinhos, né?
Jú: Eli olha quem vem lá.
Eli: Quem, quem?
Jú: O lobo-guará, onça pintada, tucano, ariranha, capivara, tatu, as emas, seriemas, inambu, coruja, araras azuis e vermelhas e as garças. Cuidado Eli, essa turma ai é meio desconfiada, são os gambás e as jaratatacas, se descuidar pode ficar com um perfume meio forte, eu diria fedidinho.
Eli: Deus me livre, é melhor manter a distância, KKKK. Nossa Jú e aquelas ali na frente, com aquele apetite?
Jú: A sim são as capivaras e as antas.
Eli: Eu posso falar com a anta? Preciso tirar uma duvida.
Jú: Claro que sim, neste sonho tudo é possível.
Eli: Olá Anta, você pode me responder uma perguntinha?
Anta: Só se for só uma.
Eli: Você conhece o Frei Wanderley?
Anta: Quem?
Eli: Sabe o que é não sei por que, ele chama quase todas as pessoas de Anta e nem é o nome delas.
Anta: Conheço não, mas com certeza devem ser pessoas elegantes, espertas e inteligentes que nem eu.
Eli: A sim, com certeza devem ser mesmo. Obrigada dona Anta pela atenção. Nossa Jú que pessoal amigo! Quero chamá-los todos de irmãos, e onde eu estiver, na escola, em casa ou no sonho quero pedir: “Cuidado com o Cerrado, tudo que há nele tem vida, flores, frutos, animais, brilho, cores, amores”. E tudo é obra de Deus Paizinho e devemos cuidar e amar. Plim, Plim!
Professora: Eli, onde você esta querida, acorde. Já foram todos embora, já terminou o nosso filme. Você gostou?
Eli: Paz e bem professora, adorei, adorei. Vou contar tudo pra minha mãe, sobre a Jú, a Anta, o pequi e tudo mais.
Professora: Quem é Jú?
Eli: Depois te conto tudo tia, beijos até amanhã.
Professora: Eita Eli, você não existe.
Narrador: E assim volta Eli para casa, como sempre cantarolando.

Eli: Irmã Jú, Irmão Lobo, Irmã Anta, Irmã Arara você é minha irmã gambazinho, tucanos, tatu e ipê somos obras de tuas mãos.

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